sexta-feira, 27 de abril de 2007

A principal missão da igreja

A principal missão da igreja

1. O que é a Igreja?

Foi Sócrates quem disse "se queres conversar comigo, define tuas palavras". Definir bem o que se está dizendo é fundamental para se ir a qualquer lugar. Assim começo definindo o que os batistas, teológica e historicamente, têm entendido como a principal missão da Igreja. Mas antes, devo definir o que entendo por Igreja. É banal, parece até discurso do Conselheiro Acácio, mas é necessário registrar que quando falo "Igreja" falo de gente. O Novo Testamento não usa o termo para designar uma instituição, muito menos uma construção. Igreja é gente, é povo, no Novo Testamento. Fugindo de definições eclesiológicas, digo que igreja é um grupo de pessoas que conheceu a graça de Deus em Jesus Cristo, foi salva por ele, comprometeu-se com ele e busca fazer a sua vontade neste mundo. Este grupo de pessoas merece o título de Igreja e tem uma missão neste mundo. Não estão sobrando nem são ociosas.

2. Qual é a missão da Igreja?

Agora, minha segunda definição é o que entendo por missão deste grupo. O que estas pessoas têm como sua principal tarefa neste mundo? Qual a missão principal da Igreja?

Quando se põe um seminarista diante de um concílio examinador, uma pergunta que se faz é "qual é a missão da Igreja?". Invariavelmente ele responde que é a evangelização. Foi assim comigo, quando de minha ordenação há 24 anos e alguns meses atrás, numa noite chuvosa, numa igreja no Rio de Janeiro. Respondi o que me ensinaram e o que eu cria. Hoje não penso assim.

A principal missão da Igreja, para mim, não é a evangelização, mas a adoração. Se a evangelização fosse a razão de ser da Igreja, fosse sua missão primeira, no céu não haveria Igreja pois que lá não há perdidos para evangelizar. Mas no céu há e haverá Igreja porque lá há e haverá Deus. Ela existe em função dele e não dos perdidos.

Verdade é que Jesus nos deixou um ide, mas antes deste, houve um vinde. Os discípulos foram chamados a ele. Mateus 10.1 é bastante enfático: "e chamando a si...". O Programa de Educação Religiosa, livro que traz a estrutura de educação religiosa da Convenção Batista Brasileira, alista quatro funções da Igreja. Chamo sua atenção para a ordem, que apresento em forma decrescente, para efeitos de gravação mental: 4º) ministrar, 3º) educar, 2º) anunciar as boas-novas, e, 1º) cultuar a Deus. Não vou fazer distinção entre adorar e cultuar. Até porque os dois termos são dados como sinônimos nos melhores dicionários. A própria CBB dá o cultuar a Deus como atividade primeira da Igreja.

Na defesa de minha argumentação, cito outro livro de nossa editora oficial. Desta vez é O Evangelho da Redenção, de Conner, no seu tópico "A Principal Função da Igreja". Diz o teólogo norte-americano: "A principal obrigação, portanto, de uma igreja não é o evangelismo, nem missões, nem beneficência; é a adoração...O cristianismo moderno em toda a sua extensão tem sido demasiado propenso a subordinar Deus ao homem. Nossas igrejas têm sido modeladas de acordo com o padrão de uma corporação de negócios organizados para terem eficiência em seus negócios. A voz de Deus se tem perdido no tumulto da maquinaria e no barulho da organização. A igreja moderna tem vendido a sua alma por causa da eficiência. Vamos à igreja ouvir uma 'pessoa dinâmica' que, do púlpito, antes estimula os seus irmãos a levar ao fim um programa, em vez de ouvir a voz de Deus falando-nos das realidades eternas. Nossos seminários teológicos preparam homens para serem administradores de igreja, em vez de pregadores da Palavra. O ministro moderno dedica-se às reuniões de comissões e aos jantares oferecidos nas igrejas" (p. 228). Se eu, pessoalmente, não tivesse um programa pessoal de estudos e uma forte determinação de hábitos, despenderia meu tempo totalmente em reuniões de juntas, conselhos, convenções e outras, de caráter administrativo.

Outra obra da JUERP, agora Elementos de Teologia Cristã, de Ureta. Embora não aceite sua posição de que a missão terrena de Cristo criou a igreja (aceito mais a idéia de Calvino de que a igreja já existia no Éden porque no Éden já existia gente criada para adorar a Deus) concordo com sua palavra: "Nas reuniões das comunidades, quando as igrejas se reuniam para edificação dos fiéis, eram criadas as condições que faziam de cada cristão uma testemunha, de cada cristão um evangelista, um missionário, no sentido pleno do termo" (p. 190). O culto era a base de tudo. Ele criava condições para a evangelização e missões. A adoração precede o testemunho, portanto, nestas citações de publicações da editora oficial dos batistas brasileiros.

3. O que é adoração

Já defini o que entendo por Igreja. Também o que entendo por sua missão. Agora, mais uma definição: o que entendo por adoração.

Palavras preliminares, antes. A essência da Igreja reside na sua comunhão com Deus. Esta comunhão se expressa na vida pessoal dos membros, e de forma comunitária, no período que chamamos de culto. Daí porque o culto tem um valor muito mais profundo que o programa de atuação de Igreja. Não há necessidade de dicotomizar, um ou outro. Mas quero dizer que o momento fundamental da Igreja, como Igreja, é o culto. Foi quando a Igreja de Antioquia estava em culto que Deus mostrou um programa missionário para ela, como lemos em Atos 13. Via de regra, fazemos nossos programas e os trazemos a Deus para que os abençoe. Primeiro, o planejamento, a burocracia. Depois, o culto. Por isso, nem sempre acertamos. No Novo Testamento temos o exemplo de uma Igreja em culto, em adoração, momento em que o Senhor lhe manifesta um programa. Uma Igreja viva, em adoração, conhecerá os caminhos por onde andar. Um culto pleno de significado, rico de sentido, orientado para fins elevados, dá vigor e rumo à Igreja. O culto não é secundário, mas prioritário.

Tenho andado por muitas igrejas nestes brasis e fora dele. Tenho visto vários tipos de cultos. Vejo o culto manipulador, em que os dirigentes querem fazer o papel do Espírito Santo: criar emoções nas pessoas. Vejo o culto desorganizado, em que se canta muito, mas hinos e corinhos sem conexão, usa-se o tempo o mais que se pode em anúncios, louvor e personalismo, despreza-se a Palavra. Fala-se, canta-se, batem-se palmas, mas sai-se sem se ter ouvido a voz de Deus. Há emoções, há estridência, mas não há reflexão. E o culto cristão não necessita de atmosfera de irracionalidade. 1Coríntios 14 é bem claro ao enfocar a necessidade de ordem e de racionalidade no culto. Tenho visto também cultos que mais parecem forró ou reedição de Woodstock.

Mas o que é adoração? Na sua excelente obra Adoração na Igreja Primitiva, Ralph Martin nos declara que um dos termos hebraicos mais comuns para "adoração" significa "curvar-se".

Segundo ele, "enfatiza o modo apropriado de um israelita pensar na sua aproximação à santa presença de Deus" (p. 15). Outro termo bastante empregado, continua Martin, vem da mesma raiz da palavra escravo. No conceito grego, escravo era algo vil, baixo. No conceito hebreu, era a mais alta designação que um israelita podia fazer de si: era uma pessoa destinada a servir a Deus. Adorar era declarar-se servo de Deus. Era comprometer-se com o serviço a Deus.

Fiquemos com estes dois termos que nos abrem algum espaço. A adoração é um ato de curvar-se diante de Deus, reconhecendo sua grandeza, sua majestade, que ele é, nas palavras de Rudolf Otto, o Totalmente Outro. É também uma demonstração da disposição do adorador, curvado, de servir a Deus. A adoração bíblica, diferentemente da adoração oriental na linha da tradição hindu, não é para o adorador se diluir no Adorado, num transe místico, em que a objetividade deixa de existir. Não é um misticismo. É a permanência da consciência do adorador, a manutenção de seu caráter volitivo. É a adoração que permite ao adorador fazer declarações como a de Isaías: eis-me aqui, envia-me a mim. Ou dizer como Saulo de Tarso, no caminho de Damasco: que queres que eu faça? É continuar a existir na presença do Auto-Existente. E existir com mais significado, com mais rumo na vida.

Séculos de adoração hindu fizeram da Índia o que ela é. Séculos de conceito de adoração e de Deus como entre os hebreus e os cristãos deram ao mundo uma brilhante civilização. Há um Deus Criador, Pessoal, com quem o homem pode entrar em comunhão, e ter a sua vida mudada para melhor. É isso, em síntese, que a adoração tem como pano de fundo. As pessoas podem mudar, com a adoração.

A adoração não é êxtase nem devaneio, nem perda de identidade. Eventualmente alguém pode ter êxtases, mas isto não é a regra nem a forma estável da adoração.

Mas resumamos este tópico. A adoração é, sem fazer aqui uma definição padrão, um reconhecimento da grandeza de Deus, um ato de curvar-se diante Dele, que produz consciência de serviço. Não é alienante, mas altamente capacitadora porque leva o adorador a descobrir verdades espirituais profundas que podem ser aplicadas à sua vida e que podem transformá-la.

Por que estou repetindo isto? Porque creio que precisamos distinguir bem entre adoração e entretenimento. Há muito entretenimento espiritual mostrado hoje em dia como culto e adoração.

É uma grande diversão espiritual, em que a finalidade principal é manter as pessoas satisfeitas, alegres e ocupadas com uma coisa saudável.

Então se canta, canta, canta, fazem-se gestos, coreografia, ocupa-se as pessoas, depois todas saem para um lanche de confraternização e os casais saem para o namoro habitual (que é algo muito bom, diga-se).

Mas vêem-se poucas vidas transformadas, seriamente marcadas pela presença de Deus. Em algumas vezes é possível ver-se que o período chamado de louvor, por alguns, tornou-se um fim em si mesmo. Mais importante que o objeto do louvor. Já falei em tantos cultos em tantos lugares, com o mesmo cenário: uma hora de louvor, de autêntico entretenimento. Depois, o estudo bíblico. Uma quantidade mui pequena de participantes (e até mesmo dos dirigentes de louvor, uma estranha função, para mim) está com sua Bíblia.

Há pouco tempo, em Manaus, num culto desses, as seis pessoas do grupo de louvor estavam sem suas Bíblias. Ficou-me a nítida impressão de gente que queria um momento de recreação, mas não de comunhão com Deus. Por que, como pretendiam comunicar-se com Ele, sem estarem dispostas a ouvir a Palavra Dele?

Por isso, a insistência: o louvor produz contrição e serviço e não apenas euforia. Entendo que o cristão canta sua alegria, sua salvação, sua segurança eterna, tem um culto jubiloso. Mas só pode cantar assim quem exclamou antes ai de mim, que estou perdido! Há muita festa e pouca contrição. Culto não é forró. É comunhão com Deus. E se esta produz alegria, produz, primeiro, convicção de pecado e clamor por perdão. Confissão e pedido de perdão fazem parte do culto cristão. Creio que sem eles, o culto fica grandemente mutilado.

4 . O propósito da adoração

Não é difícil afirmar, à luz do que já foi dito, qual o propósito da adoração. Não é manter as pessoas ocupadas, não é uma peça a mais no momento do culto, "amaciando as pessoas" para a hora da mensagem. Não é um entretenimento espiritual nem uma catarse espiritual. É um estar na presença de Deus, é um desejo não apenas de falar, de entrar em comunhão (o que implica no desejo de querer ouvir), uma consciência de quem se é, de quem é Deus, de discernimentos espirituais, de afirmação de propósitos, de mudança de vida.

Observando a estrutura de certos Salmos, como o 4 e o 73, por exemplo, para não abrirmos muito o leque, observamos que a adoração produz mudanças radicais na vida do adorador.

No Salmo 4, por exemplo, o início é um clamor e o fim é uma declaração de segurança. Foi o salmo composto por Davi quando Absalão levantou uma tropa para matá-lo. Um homem perseguido pelo próprio filho, que queria matá-lo, começa seu cântico com clamor e termina com confiança.

Na mesma linha, o Salmo 73 inicia com o reconhecimento da bondade de Deus, traz a exposição da crise espiritual e teológica de Asafe, e termina com uma declaração de confiança. A adoração tem como propósito reconhecer quem é Deus, tributar-lhe o louvor que lhe é devido, mas exatamente porque é um ato de estar na presença de um Deus Poderoso e Amoroso, muda a vida da pessoa. Quando Moisés desceu do Sinai, depois de quarenta dias na presença de Deus, seu rosto resplandecia (Êx 34.29). Estar na presença de Deus traz brilho à vida do adorador. Há marcas na vida de quem esteve na presença de Deus. É muito estranho que tenhamos tanta adoração, tanto louvor, tanto culto, e tão poucos rostos brilhando. Não literalmente, óbvio, porque quem tem pele oleosa não deve ser confundido com um novo Moisés. Mas há vidas opacas, sem brilho, sem marcas, e isso, com pessoas que dizem adorar a Deus.

A adoração visa a Deus e deve ter apenas esta linha de direção. Mas é por ela que Deus nos alcança, também. É por ela que Deus nos fala, nos manifesta sua glória, ou como no caso de Moisés, em Êxodo 33.18 a 34.6, manifesta seu nome, isto é, seu caráter. Há um propósito na adoração, que é tributar a Deus o que lhe é devido. Há um efeito, que eu não chamo de secundário nem de colateral porque não é daninho. Fica a critério de quem seja bom em dar nomes, arranjar um para este efeito: é a dimensão retributiva do culto e da adoração, o que Deus nos fala, nos mostra, o que sucede em nossa vida.

5. A condução da adoração

No meu rascunho, o ponto 5 seria "O valor da adoração", mas seria repetitivo. Meu ponto 6 passa a ser o cinco, então: "A condução da adoração".

Considerando o que foi dito, como se torna relevante a forma de se conduzir a adoração! Poucas coisas me agastam mais que leviandade. Na minha área, por exemplo, a falta de seriedade na pregação me irrita. Quando penso que, aos domingos, mais de mil pessoas estão colocando vinte e cinco minutos de suas vidas nas minhas mãos, na hora da pregação, fico aterrado. Tenho 47 anos. Prego desde os 16 anos. Com 19 anos eu já dirigia uma Igreja. Mas até hoje, quando chega a hora de pregar, que incômodo! É o momento mais delicado do culto para mim. Angustia-me a responsabilidade. Tenho medo de falhar, de decepcionar Deus, de não dizer o que as pessoas precisam, de não ser útil. Meu maior receio é de dizer qualquer coisa, só para compor uma ordem de culto, que traz um item chamado Mensagem. Mas vejo que há muita improvisação no culto. E muita falta de propósito.

O primeiro aspecto a se abordar na área da condução da adoração é a consciência de missão que o condutor (o ministro de música ou o ministro da Palavra) deve ter. Ele não está cumprindo uma tarefa irrelevante. Está conduzindo as pessoas à presença de Deus.

Mutatis mutandis, seu papel é o do sacerdote do Antigo Testamento. Ele precisa estar limpo, espiritualmente. Precisa ter confessado, adorado, pedido perdão, posto-se nas mãos de Deus. Tem que cuidar de si mesmo para levar o povo a Deus. É uma missão sublime. Não é uma pessoa que cumpre uma tarefa de uma hora, uma hora e quinze, mais ou menos. É a pessoa que conduz um rebanho à presença do Majestoso Pastor. É missão seríssima.

O segundo aspecto é que deve haver nexo na adoração. Não se pode desprezar o fato de que a adoração tem o que chamei de aspecto retributivo, ou seja, o momento em que Deus nos fala. Chamei a atenção para a estrutura dos salmos. Eles têm nexo. Há cultos sem nexo e sem estrutura. Canta-se um hino sobre natal, lê-se uma passagem sobre a páscoa, canta-se um corinho na sua célebre linguagem intimista, sem fato objetivo da fé cristã mencionado, ora-se por enfermos e por poder espiritual, canta-se um corinho mais sobre louvor e um hino sobre missões. Ora, não se pode esquecer que há, na adoração expressa, o culto, um significado pedagógico. Há uma lição que se transmite. Ou seja, o que estamos dizendo ao povo. É necessário um fio condutor, que deixe bem claro por onde estamos andando, e que, ao encerrar o culto, deixe bem claro ao povo por onde ele andou.

O terceiro aspecto é que deve haver impacto. Nós não produzimos impacto. É obra do Espírito Santo de Deus impressionar as mentes e os corações. Mas ele não faz isso no espaço vazio, no éter. Opera nos canais que abrimos. Há cultos irrelevantes.

Prova disso é que vemos igrejas que marcam passo. Meses sem ver uma conversão e anos com os mesmos problemas. Vemos pessoas que nunca mudam. Fofoqueiras, brigonas, ranzinzas, maldosas foram e são. E estão, essas igrejas e pessoas, sempre em adoração.

Deve haver uma revisão, uma análise. Grande parte da procura pelas igrejas do baixo-pentecostalismo em nossos dias, é que elas alegam que acontecem coisas em seus cultos. O povo quer o sobrenatural e muito de nosso ensino, nas igrejas tradicionais, tem tornado o evangelho em algo meramente cognitivo. O impacto espiritual, a consciência de Deus, e o sobrenatural têm sido omitido em nossos cultos. Você vê pessoas irem à frente, chorando seus pecados? Vê pessoas agradecendo porque as orações foram atendidas? Vê pessoas transformadas? Vê o poder de Deus agindo na vida das pessoas? Que impacto nossos cultos causam na vida dos cultuadores? Nossas igrejas estão melhores hoje do que no ano passado? Os cultos marcaram as igrejas ou foram apenas palavras ao vento?

O quarto aspecto é que deve haver espiritualidade. Parece óbvio? Não é tanto assim. Há cultos hilários, pândegos, há festas, há de tudo. Com todo respeito que tais pessoas merecem, não consigo ver como um roque pauleira pode trazer espiritualidade e quebrantamento. Não consigo associar contrição com uma bateria ensurdecedora, nem confissão de pecado com dança. Espiritualidade pode ser subjetivada, mas aqui quero falar do elemento do culto que produz contrição, reflexão, mudança de atitudes. Não apenas a agitação. Numa frase de Bill Ichter, "algo que mexa com o coração e não com os pés". Mas até admito que os pés se mexam, mas não aceito que os corações não se movam.

O quinto e último, é que deve haver a glorificação de Deus. Por último, mas não o menos importante. Assusta-me o culto à personalidade no cenário evangélico. "O grande servo de Deus", uma frase comum em nosso meio, já é um contra-senso, em si mesmo. Quando a atração é alguém, um elemento humano, o culto já começou a ser desvirtuado. Deus não reparte a sua glória com o homem. Uma citação de Bruce Shelley, em A Igreja, o Povo de Deus, ajuda neste raciocínio: "A verdadeira adoração, porém, deve ser sempre para a glória de Deus. Nos cultos modernos, muita atenção é dirigida para o que acontece com o adorador. As igrejas recorrem a som, luzes, simbolismo, liturgia e encenação, a fim de provocar sentimentos emocionais no adorador. Os que participam tendem a avaliar o culto em termos de como ele os edificou ou fê-los sentir-se bem ou os inspirou." (p. 81). Ou seja, o homem passa a medida do culto, seu valor maior.

Na citação de Shelley ele menciona o fato de que coisas podem tornar-se mais importante que Deus. O que digo é que há momentos em que pessoas podem tornar-se mais importante que Deus. Quando se vê um cartaz de campanha de evangelização com os dizeres Sua vida vai mudar. Fulano de Tal no estádio Tal é que se vê que antropolatria moderna afetou nossas estruturas de culto. O convite é para ouvir o pregador e é ele quem vai mudar a vida do ouvinte. Isso tem um leve odor de blasfêmia.

Encerrado um culto, uma pergunta muito pertinente é esta: "As pessoas aprenderam mais de Deus hoje? Compreenderam mais de sua glória, de sua majestade, de seu amor? Cresceram no conhecimento de Deus?". Se a resposta for sim, podemos dizer que a Igreja, em culto, alcançou o cumprimento de sua missão: a adoração que glorifica o Adorado e marca o adorador.

Conclusão

Andamos um pouco em nossa caminhada. Esta é a primeira parte da minha, permitam-me chamá-la assim, trilogia. Foi A Verdadeira Missão da Igreja. Nas demais partes, pretendo falar sobre A Adoração e a Proclamação e, depois, sobre A Adoração, a Edificação e a Doutrina. Se tivesse que sintetizar minha primeira fala numa frase, ela seria Primeiro Deus.

Foi isso que pretendi dizer. É isso que acho que, como ministros da Igreja do Senhor, ministros do culto a Deus, devemos ter como lema em nosso ministério.

Isaltino Gomes Coelho Filho

(palestra apresentada à Associação Batista dos Músicos do Brasil)

Um comentário:

Lucineia Melo disse...

A Biblia diz: "errais por não conheceres as escrituras". A maioria das igrejas tem pregado que a Missão é pregar o evangelho para evitar a condenação e ganhar o céu. Esqueceram do propósito de Deus anterior ao pecado, que é ser revelado e glorificado por sua criação e que a salvação é um meio e o propósito de Deus, o fim. Bela palavra!
Já fui despertada

A Bíblia só foi traduzida para 2.426 das 7 mil existentes línguas faladas no mundo.
Precisamos nos apaixonar novamente pelas Sagradas Escrituras!

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